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Ex-presidente do Peru é preso acusado de receber da Odebrecht

Ex-presidente do Peru é preso acusado de receber da Odebrecht

"Não escutamos um só elemento que possa mudar a situação do ex-presidente Humala e sua esposa, apenas referências, indícios, afirmações de colaboradores que foram esclarecidas no momento", rebateu Wilfredo Pedraza, advogado de Nadine Heredia.

O ex-presidente do Peru Ollanta Humala, que foi preso em meio a investigação por possíveis delitos ligados ao caso Odebrecht, foi enviado hoje para a mesma prisão em que está Alberto Fujimori, outro ex-presidente peruano sentenciado a 25 anos de prisão por assassinado e corrupção. Segundo ele, os elementos de provas apresentados pelo promotor Germán Juárez permitem presumir que "Heredia e Humala tinham recebido dinheiro da Venezuela e do Brasil, e que com um alto grau de probabilidade, colocaram a quantia nas campanhas eleitorais de 2006 e 2011 simulando contribuições fantasmas”". A apresentação da acusação pelo Ministério Público teve início na quarta-feira à noite e foi retomada no dia seguinte à tarde. A prisão preventiva evitará que o casal dificulte a coleta de provas.

"Não existe um propósito de fuga do ex-presidente nem de sua esposa".

Em carta publicada pela imprensa local, Antauro Humala considerou que, com a prissão de seus parentes, "se fecha o ciclo de grande traição do projeto (etno) nacional no Peru", doutrina política de base esquerdista, nacionalista e indigenista desenvolvida por Isaac Humala, pai dos Humala. Para além disso, publicaram mensagens nas respetivas contas de Twitter, reforçando essa intenção. "Confiamos na lei!" escreveu Heredia. "Esta é a confirmação de abuso de poder, à qual vamos enfrentar, em defesa de nossos direitos e dois direitos de todos", disse Humala. Um documento do Supremo Tribunal Federal do Brasil assinala que, de acordo com o empresário da construção, "o Grupo Odebrecht, a pedido de Antonio Palocci Filho, enviou, através do Departamento de Operações Estruturadas [o setor da Odebrecht encarregado de administrar as propinas], três milhões de dólares (10 milhões de reais) ao candidato à Presidência do Peru Ollanta Humala".

O Peru não é o único país onde há investigações envolvendo desdobramentos da Operação Lava Jato. Para o órgão dos EUA, é o "maior caso de suborno internacional na história".